Michael Schumacher é uma das maiores figuras da história do esporte. Um piloto lendário, admirado no mundo inteiro. Mas, acima de tudo, ele é um ser humano, um marido, um pai e agora um avô. Há quase 12 anos ele passou por um trágico acidente, e a família escolheu viver tudo isso longe dos olhos do público. Desde então, quase não houve atualizações oficiais sobre seu estado de saúde, e essa decisão precisa ser respeitada. Aqui eu falo não apenas como a profissional de comunicação, mas também como a fã e principalmente como a humana que acredita que famoso, ou não, ele tem o direito de manter sua intimidade reservada, como sempre fez.
O que mais me entristece nesse cenário é ver que mesmo após tanto tempo, a mídia ainda insiste em transformar esse silêncio em manchete, e o pior, com especulações e com um conteúdo claramente feito pra gerar clique, like e engajamento, sem se preocupar com a veracidade e com a dor de alguém, alguém que fez tanta gente se apaixonar por esse esporte.
Como fã do Schumacher, cada nova “notícia” que tenta adivinhar como ele está mexe comigo de verdade, às vezes até me faz chorar. Porque antes do heptacampeão, do ídolo, da lenda da Fórmula 1, existe um homem. E esse homem tem o direito de viver sua vida em paz, no tempo e nos termos dele e da família, cercado pelo amor daqueles que estão a sua volta, porque no final é isso que importa.
Eu realmente acredito que já chegou a hora da mídia parar, parar com as especulações, parar de querer enfiar suas lentes onde elas já não cabem. O mundo precisa dar dois passos atrás e entender que ser famoso não é uma licença para ter sua vida exposta até nos mais íntimos detalhes. No GP do Bahrein, tivemos uma das notícias mais comoventes que o mundo pode receber sobre ele nos últimos anos. Ele assinou o capacete, junto com todos os campeões ainda vivos, e isso por si só já é uma manchete que alegra os fãs, que nos mostra que, do jeito dele, ele ainda se mantém presente no esporte.
Mas aparentemente a mídia precisava de mais, a mídia queria mais, e então começaram as manchetes sobre a possibilidade dele ter ido ou não ao nascimento da neta, sobre se sua saúde permitiria tal viagem, e a pior parte é que, de novo, tudo isso é pura especulação. Não passa de uma forma que os tabloides encontram para reciclar a tragédia e aproveitar um nome que sempre gera muitos acessos.
Como comunicadora, eu entendo o valor da informação, mas também entendo a responsabilidade que vem com ela. E existe uma linha que não pode ser ultrapassada, não apenas a linha traçada pela família ao optar pelo silêncio, que jamais deveria ser ultrapassada, mas também a linha do que é verdade ou não, a linha que diferencia uma fofoca de uma notícia real. Quando não há autorização e confirmação, não há justificativa para continuar insistindo. A cobertura jornalística perde o sentido quando se alimenta apenas da curiosidade pública, sem qualquer compromisso com a verdade ou com a dignidade do outro, afinal não é para isso que já existem centenas de páginas e Instagrams criados apenas para fofoca?
Esse texto não é só uma crítica, é um apelo sincero, de uma fã que sente sim falta dele na mídia, de uma comunicadora que se importa com a verdade e com o poder das palavras. E, principalmente, de uma pessoa que acredita que o mundo seria um lugar um pouco melhor se a empatia viesse antes do engajamento, se a responsabilidade viesse antes do furo. E se o amor pelas pessoas que admiramos também incluísse saber a hora de calar e apenas torcer em silêncio.




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